É possível que você em algum momento já tenha vivido essa sensação, de esperar ansiosamente por dia do seu pagamento, do “pagode”, da “bufunfa”, rs como diriam Os Trapalhões….
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É possível que você em algum momento já tenha vivido essa sensação, de esperar ansiosamente por dia do seu pagamento, do “pagode”, da “bufunfa”, rs como diriam Os Trapalhões. Acontece que o tão esperado dia chega e como que um passe de mágica, ele some, porque vai para o aluguel, financiamento do carro, cartão de crédito, supermercado. No final disso tudo, só sobra uma sensação estranha de que você trabalha só para pagar conta”.
Eu sei na pele como é isso, houve um tempo na minha vida em que eu mal tinha o suficiente para pagar minhas contas e me preocupava constantemente com despesas inesperadas. E posso dizer que é estressante e exaustivo sentir-se sempre atrasado, sem espaço para economizar ou planejar o futuro.
Mas aqui está a boa notícia: é possível sair desse ciclo. Não é fácil, não acontece da noite para o dia, e às vezes pode parecer impossível. Mas com algumas mudanças na forma como você lida com o dinheiro, dá para criar uma folga, reduzir o estresse e, finalmente, ter controle sobre suas finanças.
A proposta de hoje é compartilhar estratégias práticas para quem quer deixar só esperando a grande pequeno dia de cair o salário. São coisas que quando implementadas com consistência, fazem diferença real na conta bancária.
Antes de falar sobre soluções, vale entender por que isso acontece com tanta gente. Na minha experiência, existem três razões principais:
Primeiro: não sabemos exatamente para onde o dinheiro está indo. Temos uma ideia geral, mas nunca fizemos as contas de verdade.
Segundo: nossos gastos crescem na mesma velocidade (ou mais rápido) que nossa renda. Ganhamos mais, gastamos mais, e a situação continua apertada.
Terceiro: não temos uma reserva para emergências, então qualquer imprevisto vira uma crise financeira que nos joga ainda mais para trás.
A boa notícia é que todos esses problemas têm solução. Então, vamos a elas.
Eu sei, eu sei. Todo mundo fala sobre orçamento e você provavelmente já tentou fazer um algumas vezes. Mas deixa eu te contar a diferença entre um orçamento de mentira e um orçamento real.
Orçamento de mentira: você estima quanto gasta com cada coisa baseado no que acha que deveria gastar.
Orçamento real: você anota quanto realmente gasta com cada coisa durante um mês inteiro.
Para fazer um orçamento real, você precisa de três coisas:
Primeiro: liste todas as suas fontes de renda. Salário, aluguéis, qualquer dinheiro que entra na sua conta.
Segundo: anote todos os seus gastos durante um mês. E quando eu digo todos, é todos mesmo: aluguel, financiamentos, supermercado, transporte, aquele café da padaria, a assinatura do Spotify que você esqueceu que tinha. Isso para criar uma espécie de fotografia financeira e enchergar sua realidade.
Terceiro: compare os números. Se você está gastando mais do que ganha, precisa cortar gastos ou aumentar a renda. Se está gastando exatamente o que ganha, precisa cortar gastos para criar uma folga.
A maioria das pessoas fica chocada quando faz esse exercício pela primeira vez. “Nossa, eu não sabia que gastava tanto com delivery” ou “Caramba, essas assinaturas estão custando mais que meu plano de saúde”.
Depois de fazer o orçamento real, você vai identificar gastos que podem ser cortados sem afetar sua qualidade de vida. Não estou falando para você virar um monge e parar de se divertir. Estou falando para você parar de gastar dinheiro com coisas que não agregam valor à sua vida.
Algumas sugestões práticas:
Assinaturas esquecidas: Netflix, Amazon Prime, Spotify, aquele app de meditação que você usou duas vezes. Cancele tudo que você não usa pelo menos duas vezes por semana.
Delivery excessivo: se você pede comida mais de três vezes por semana, está gastando muito. Tente reduzir para uma ou duas vezes e cozinhe mais em casa.
Compras por impulso: antes de comprar qualquer coisa que não seja essencial, espere 24 horas. Você vai se surpreender com quantas “necessidades urgentes” desaparecem depois de uma noite de sono.
Marcas caras desnecessárias: produtos de limpeza, higiene pessoal, alguns alimentos. Teste as marcas próprias do supermercado. Na maioria das vezes, a qualidade é a mesma e o preço é 30% menor.
Uma das principais razões pelas quais as pessoas ficam presas nesse ciclo financeiro é a falta de uma reserva para emergências. Quando surge um imprevisto – o carro quebra, você fica doente, a máquina de lavar para de funcionar – você precisa usar o cartão de crédito ou pedir dinheiro emprestado.
Aí você fica devendo, paga juros, e sua situação financeira fica ainda mais apertada no mês seguinte.
A solução é ter uma reserva de emergência. Não precisa ser um valor gigantesco. Comece com R$100,00, depois R$ 150,00, depois R$ 200,00, e assim por diante. O importante é começar.
Aqui está uma estratégia que funciona: toda vez que você receber o salário, transfira R$ 50,00 ou R$ 100,00 (ou qualquer valor que caiba no seu orçamento) para uma conta poupança separada. Faça isso antes de pagar qualquer conta. Trate como se fosse uma conta obrigatória.
Em seis meses, você terá entre R$ 300,00 ou R$ 600,00 guardados. Pode não parecer muito, mas é dinheiro suficiente para lidar com a maioria dos imprevistos pequenos sem precisar usar o cartão de crédito.

Se você tem dívidas, especialmente no cartão de crédito ou cheque especial, elas estão sugando sua renda todos os meses. Os juros dessas modalidades são absurdos no Brasil – podem chegar a 300% ao ano.
Isso significa que uma dívida de R$ 1.000,00 nocarta pode virar R$ 4.000,00 em um ano se você pagar só o mínimo. É dinheiro que você está jogando fora.
A estratégia é simples: liste todas as suas dívidas, identifique qual tem a maior taxa de juros e foque em quitar essa primeiro. Pague o mínimo das outras e jogue todo dinheiro extra na dívida mais cara.
Quando quitar a primeira, pegue o dinheiro que você usava para pagá-la e some com o pagamento mínimo da segunda dívida mais cara. Continue assim até quitar tudo.
Pode parecer lento no começo, mas o efeito bola de neve é real. Cada dívida quitada libera mais dinheiro para quitar as próximas.
Se você tem dificuldade para controlar gastos com cartão, experimente pegar os dados que colheu na fotografia (item 1) somar suas despesas variáveis e usar uma conta específica só para esses gastos.
Funciona assim: no início do mês, você transfere o valor que planejou gastar com variáveis para essa conta. O todo valor ou quinzenalmente, ou mesmo semanalmente. E tudo o que for despesa variável sairá dali.
Parece estranho, mas é extremamente eficaz. Isso porque você vai ver o dinheiro acabando e sabe que até o finai do mês terá que lidar com aquele montante para suas despesas variáveis.
Uma das melhores formas de garantir que você vai conseguir guardar dinheiro é automatizar o processo. Configure uma transferência automática da sua conta corrente para a poupança todo dia 5 do mês (ou qualquer data que funcione para você).
Comece com um valor pequeno – R$50,00 que seja – e vá aumentando conforme sua situação financeira melhorar. O importante é criar o hábito. Quando a transferência é automática, você nem sente falta do dinheiro. É como se ele nunca tivesse existido na sua conta corrente.

Cortar gastos tem um limite. Chega uma hora em que você não consegue cortar mais sem afetar sua qualidade de vida. Nesse ponto, a solução é aumentar a renda.
Algumas opções práticas:
Freelances na sua área: use suas habilidades profissionais para fazer trabalhos extras nos fins de semana.
Venda coisas que você não usa: roupas, eletrônicos, livros, móveis. Você se surpreenderia com quanto dinheiro está parado no seu armário.
Monetize um hobby: se você sabe cozinhar, costurar, consertar coisas, pode transformar isso em renda extra.
Peça um aumento: se você não pede aumento há mais de um ano, pode estar na hora de ter essa conversa com seu chefe.
Pelo menos uma vez por ano, ligue para as empresas que prestam serviços para você e tente negociar um desconto. Telefone, internet, plano de saúde, seguro do carro.
Diga que está pensando em trocar de fornecedor e pergunte se eles têm alguma promoção ou desconto disponível. Funciona mais vezes do que você imagina.
Uma ligação de 15 minutos pode resultar em uma economia de R$ 50,00 por mês. Em um ano, isso pode virar R$ 600,00 a mais no seu orçamento.
Compras grandes – eletrodomésticos, móveis, eletrônicos – não deveriam ser decisões de impulso. Planeje com antecedência, pesquise preços, espere promoções.
Se você sabe que vai precisar trocar a geladeira em seis meses, comece a guardar dinheiro agora. Assim você pode comprar à vista e ainda negociar um desconto melhor.
A melhor forma de aumentar sua renda no longo prazo é investir no seu desenvolvimento profissional. Faça cursos, aprenda novas habilidades, construa uma rede de contatos.
Não precisa ser nada caro ou complicado. Tem muito conteúdo gratuito na internet. O importante é ter consistência e foco.

Por fim. Essa é a diferença entre viver de salário em salário e ter controle sobre suas finanças. Não é sobre ganhar mais dinheiro (embora isso ajude). É sobre ter consciência de para onde seu dinheiro está indo e tomar decisões intencionais sobre como usá-lo.
Sair do ciclo de viver de salário em salário não acontece da noite para o dia. É um processo que exige disciplina, paciência e, principalmente, consistência. Mas cada pequena mudança que você fizer vai te aproximar da liberdade financeira.
Comece hoje. Escolha uma ou duas estratégias que fazem mais sentido para sua situação e implemente. Quando essas virarem hábito, adicione mais algumas.
Lembre-se: você não precisa ser perfeito, você só precisa ser consistente. E com o tempo, você vai perceber que não está mais vivendo de salário em salário. Você está vivendo com propósito financeiro.
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